Desde o início deste ano, venho desenvolvendo, solitariamente, uma série de trabalhos de natureza performática e instalativa que comporão um réquiem (homenagem aos mortos). Depois da morte da minha mãe, especialmente depois que tivemos de organizar os objetos pessoais deixados por ela, como um tsunami, várias idéias me ocorreram. Resolvi então selecionar cinco idéias e fazer um “Réquiem para meus pais”.
Tento refletir, a partir dos objetos pessoais dos dois, estes depositórios de memória afetiva, as idéias de vida e morte, eros e tanatos, dor, perda e renascimento.
Parece mórbido ou arte de divã. Talvez seja tudo isso. E por que a (minha) arte deveria evitar tais questões? É estranho o modo como lidamos com a dor e a morte: negando-as. Todavia, nada é mais natural ao homem – não o fato de sentir dor ou morrer, coisa a que outras formas de vida também estão sujeitas –, mas a consciência delas.
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